sexta-feira, 5 de maio de 2017

HUN WINIK - A Arte de Reconhecer a Verdadeira Humanidade

Evento - 9 a 30/07/2017
Em cinco postagens neste blog falamos do caminho do nagual tolteca Carlos Castaneda e seu mestre Don Juan Matus, e nessa tarefa sempre fomos ajudados pela boa amiga Patrícia Aguirre. Hoje ela fala de Encontros Mágicos no Caminho do Guerreiro, Caminho do Coração e de um evento fantástico o Hun Winik. Ela conta:
"Em 1996 tive o privilégio de conhecer pessoalmente Carlos Castaneda, a quem desde jovem tinha como referência  através dos seus livros, seguindo cada inspiração que dali vinha. Desde essa época comecei a praticar os "passes mágicos" e outras práticas desta linhagem. Após 20 anos conheço D. Carlos Castillejos, um Maya Tolteca, que toca tão profundamente meu ser que mergulho mais fundo ainda no caminho que Castaneda nos abriu!
Não hesitei em trazê-lo para o Brasil em Julho de 2016, junto com outra praticante, Jana Loughran, para uma inesquecível jornada de 7 dias no Vale do Pati, Chapada Diamantina, Bahia. Reconheço neste ser um Nagual que nos toca profundamente na sua simplicidade e forma direta de transmitir esta linhagem. Por isso, estamos trazendo-o de volta para um retiro de 21 dias em Julho de 2017 novamente para a Chapada Diamantina, num lugar de extraordinária beleza (para quem não pode os 21 dias tem a opção de 9 ou 13 dias).
Da mesma maneira que, quando encontrei Castaneda em 1996, fiquei perplexa, a ponto de fazer todo o esforço para trazer os Passes Mágicos para o Brasil e compartilhar com o maior número de pessoas, e hoje com este outro Carlos sinto o mesmo. Para os amantes deste caminho estendo este convite.
Somos um grupo de praticantes no Brasil que cresce dia a dia, e tenho a alegria de te-los como parceiros na produção deste evento!"
O que são estas práticas:

Hun Winik no Brasil com Don Carlos Jesús Castillejos, A arte de reconhecer a verdadeira humanidade

Na tradição Maya, o Hun Winik é a arte de reconhecer a nossa verdadeira humanidade transcendente e imanente em qualquer circunstância. O ser humano não nasce completo, mas sim se faz quando desperta para todos os seus potenciais.
Dessa forma, nessa tradição, aprende-se a Ser humano através da atualização da arte do Ah'men (Crer Criar-Fazer), cujos temas centrais são:

1. A arte de sonhar consciente;
2 A arte do intento essencial dos naguais;
3 A arte da espreita;
4 A arte da percepção sem interpretações.

A mera compreensão intelectual do Ah’men, contudo, não traz qualquer despertar ou mudança para vida de qualquer um de nós. Isso porque esses ensinamentos só podem ser adquiridos através da transmissão de práticas que nos conduzem à organização de nossa ilha do tonal – que identifica o lado direito, racional, de nosso ser – para que o lado direito – o nagual, nosso irmão gêmeo, que identifica o desconhecido, o não visto – possa despertar.
Um ser humano ponte entre o visível e invisível empoderado, auto-governando-se, e ao mesmo tempo aberto ao fluxo de serviço que o contexto solicite. Tal Ser Humano completo é capaz de ressoar na mesma plenitude e contagiar tudo o que percebe.

De Carlos a Carlos

Muito do conhecimento Maya, incluindo-se a sabedoria imanente ao Hun Winik, só foi divulgado a um público maior e mais global, ao que se sabe, a partir da publicação das obras de Carlos Castaneda (1925-1998). Este, quando jovem, acabou por encontrar o índio Yaqui Don Juan Matus, autêntico portador do conhecimento Tolteca e autêntico nagual (pessoa que possui o lado nagual já desperto e consegue movimentar-se entre o nagual e o tonal de forma consciente e voluntária).  O índio, percebendo o potencial do jovem, viria a lhe transmitir, nos anos seguintes, seus ensinamentos, que até então eram mantidos por muitas gerações em segredo.
A partir desse encontro, Carlos Castaneda, de forma inédita, relatara em cada uma de suas 13 obras, lançadas entre 1968 a 2000, detalhes dessa transmissão feita pelo índio Don Juan. A divulgação dos livros causaram grande impacto no público e na academia. Na década de 70 muitos jovens que aderiram movimento Hippie e da contracultura foram tocados pela obra de Castaneda, este que atingira o auge de sua popularidade após a publicação de uma contraditória reportagem na revista americana “Time”, em 1973.
A partir daí muito se debateu acerca da veracidade dos fatos relatados nos livros e do paradeiro do índio Don Juan, o que levou Castaneda a durante largo tempo evitar qualquer aparição pública, voltando à cena só décadas após, até a sua morte, no ano de 1998.
Desde então muitos(as) seguidores(as) ao redor do mundo dessa linha de conhecimento exposta por Carlos Castaneda  seguiram realizando encontros, trocando informações e práticas, até os dias de hoje.
Atualmente, o momento nos brinda com uma nova “onda” de expansão da consciência, o que impulsiona a propagação das mais várias linhas tradicionais do conhecimento, incluindo-se a sabedoria Tolteca, especificamente essa trazida por Castaneda, relacionada ao nagualismo.
Poucos são aqueles que podem ser considerados autênticos portadores e transmissores dessa sabedoria nagual atualmente. Dentre eles merece destaque outro Carlos, mas não o Castaneda, e sim Don Carlos Jesús Castillejos, nagual da linhagem Maya Tolteca.
Castillejos nasceu em Macuspana Tabasco, no sudeste do México, e, inspirado por sua avó materna Avelina, foi a Yucatán, onde encontrou os portadores da sabedoria da Serpente Emplumada, Don Sebastian e Josefa May, quem lhe transmitiram o elixir do Sáastún (cristal do Vidente).
Em seu caminhar, também recebeu de doña Catalina filha de María Sabina em Huala Oaxaca a tradição cerimonial mazateca dos cogumelos santos e, no deserto de Wirikuta, do maraakame Andrés Jiménez, a tradição cerimonial de wirrárika do el Jikuri.
Ainda, em plenos anos 80, quando participava de um grupo de práticas Toltecas chamado  Toltecayotl, encontra-se com o próprio Carlos Castaneda, este que, interessado nas práticas do grupo, realiza visitas e compartilha alguns de seus ainda não sistematizados Passes Mágicos e notas de viagens.
Desde então Carlos Castillejos se dedica à transmissão desses ensinamentos, com a formação da associação Mazacalli, cuja função é favorecer o conhecimento, prática e preservação da sabedoria dos povos de Anáhua e, mais recentemente, com o Instituto de Investigação Tolteca Nahualli, formado em 2015, em conjunto com um núcleo internacional de praticantes.

Hun Winik 2017 Chapada Diamantina com Don Carlos Jesús Castillejos

Don Carlos Jesús Castillejos em uma rara oportunidade estará no Brasil em julho de 2017 para compartilhar alguns de seus ensinamentos. Nessa ocasião trará justamente as práticas do Hun Winik em retiros de 9, 13 ou 21 dias na Chapada Diamantina, Bahia.
Caminhar, jejuar, recapitular, ensonhar, movendo-se entre os gestos mágicos dos códigos Kahlay (movimentos energéticos Toltecas), solidão, oferenda, a saturação de estímulos, perceber de forma direta, entrar na sauna sagrada, são só alguns exemplos das práticas envolvidas.
Mais informações sobre o histórico, práticas e materiais de Carlos Jesús Castillejos e referente ao evento de Julho de 2017 em : http://nahualli.org/ ou no telefone (11)-991615121
(falar com Patrícia).



quinta-feira, 23 de março de 2017

Falta de Magnésio, Um Horror

Nós temos sede de água rica em magnésio.
E temos uma situação assustadora na saúde mundial devido ao desconhecimento de um problema pela medicina comum: os sintomas de deficiência de magnésio e diagnóstico nas pessoas. No Brasil é pior. Os Ministérios da Agricultura e Saúde como sempre nada sabem sobre o assunto de sua alçada (além da corrupção, é claro) e por isso mesmo a famigerada mas incompetente indústria de adubos só repõe na terra os conhecidos N,P,K (Nitrogênio, Fósforo e Potássio) e nada de Magnésio, e então as terras aráveis e portanto os alimentos plantados tem pouco ou nada deste mineral. O sistema público de saúde gasta buzilhões por conta das doenças decorrentes. Quer mais? A deficiência de magnésio é muitas vezes não diagnosticada porque não aparece nos exames de sangue dos laboratórios - apenas 1% do magnésio do corpo é armazenado no sangue, o restante nos tecidos. A maioria dos médicos e laboratórios nem sequer incluem a informação sobre o nível do magnésio nos exames de sangue de rotina. Assim, a maioria dos médicos não sabe quando seus pacientes são deficientes em magnésio, embora estudos mostrem que a maioria quase absoluta das pessoas são deficientes em magnésio. Essa é a ponta do iceberg.
No Brasil há um alerta antigo do Dr. Luiz Moura (um médico fora do rebanho, com quem falei algumas vezes) e de um padre gaúcho chamado Beno J. Schorr que aprendeu com um jesuíta espanhol chamado Dr. Puig que por sua vez cita um médico francês Dr. Delbet (A Política Preventiva do Câncer). Hoje o esperto e midiático Dr. Lair Ribeiro já encampou a tese mas mesmo assim pouca gente conhece o assunto. Vamos ainda falar disso no blog.
Considere as declarações do Dr. Norman Shealy  MD. PhD pela Duke University, neuro-cirurgião, pioneiro em Medicina da Dor, e autor de vários livros:
1 - Todas (pessoal, ele disse TODAS!) as doenças conhecidas estão associadas a uma deficiência de magnésio.
2 - O magnésio é o mineral mais crítico necessário para a estabilidade elétrica de todas as células do corpo.
3- Uma deficiência de magnésio pode ser responsável por mais doenças do que qualquer outro nutriente.
A verdade que ele afirma expõe um buraco na medicina moderna que explica muito sobre a morte iatrogênica (aquela devida ao tratamento) e a doença. Já que a deficiência de magnésio é largamente ignorada, milhões de pessoas sofrem desnecessariamente ou estão tendo seus sintomas tratados indevidamente com medicamentos caros quando eles poderiam ser curados com suplementação barata de magnésio. E ficam doentes, sofrem e... morrem de várias doenças conhecidas ou não, mas a causa primeira é a falta de magnésio não detectada.
Cada um tem de reconhecer os sinais de “sede ou fome” de magnésio por conta própria pois a medicina alopática é perdida a este respeito. É realmente algo muito mais sutil que a fome ou a sede, mas é comparável. Em um mundo onde médicos e pacientes nem sequer prestam atenção à sede e importantes questões de hidratação, não é esperançoso que vamos encontrar muitos reconhecendo e prestando atenção à sede e fome de magnésio, que é uma maneira dramática de expressar o conceito de deficiência de magnésio.
Poucas pessoas estão cientes do enorme papel que o magnésio desempenha em nossos corpos. O magnésio é de longe o mineral mais importante do corpo. Após o oxigênio, a água, e o alimento básico, o magnésio pode ser o elemento o mais importante necessário para nossos corpos; vitalmente importante, mas mal conhecido. É mais importante do que o cálcio, potássio ou sódio e regula todos os três! Milhões sofrem diariamente de deficiência de magnésio sem mesmo saber.
Na verdade, parece haver uma relação entre o que percebemos como sede e as deficiências e faltas nos eletrólitos (partes químicas de várias substâncias, que alimentam as células, também chamadas de íons e cátions). Eu me lembro de uma pessoa perguntando: "Por que estou desidratado e com sede quando bebo tanta água?" Sede pode significar não só falta de água, mas também pode significar que alguém não está recebendo nutrientes e eletrólitos. Magnésio, potássio, bicarbonato, cloreto e sódio são alguns exemplos disso e essa é uma das razões do fato de que o sal cloreto de magnésio, (que é a forma mais fácil, saudável e barata de ingerir magnésio) é tão útil.

(Nota do autor do post: É bom lembrar que a molécula da clorofila das folhas de todos os vegetais, que magicamente transforma a energia luminosa do sol em energia alimentar na planta através da folha verde, tem no seu centro um átomo de Magnésio e ela vai magicamente se transformar  em molécula de hemoglobina dentro das nossas células sanguíneas vermelhas. 
A molécula de hemoglobina é praticamente igual à de clorofila só que no centro tem um átomo de ferro em vez de magnésio. 
O magnésio se transformou em ferro? Mistééério... Louis Kervran diz que sim, através de uma "transmutação em baixa energia" dentro do nosso corpo, semelhante à de "alta energia" que ocorre no centro do sol, só que mais discreta e silenciosa. E tome mais mistério... Gosto de pensar que a realidade é mais  atraente e mágica que a fantasia. Milagre é pouco. Mas, como dizia Scherazade ao sultão: isso fica para uma outra vez...)

Uma pessoa com deficiência de magnésio
Você sabe todos esses anos, quando os médicos costumavam dizer aos seus pacientes "É tudo da sua cabeça", foram anos em que a profissão médica estava mostrando sua ignorância. É um tormento ser magnésio-deficiente em um nível ou outro. Mesmo se for para a pessoa desportiva entusiástica cujo desempenho atlético está baixo, a deficiência de magnésio irá perturbar o sono e os níveis de estresse de fundo e uma série de outras coisas que refletem sobre a qualidade de vida. Os médicos não estão usando o teste apropriado para o magnésio - seus exames de sangue no soro apenas distorcem suas percepções. Magnésio tem ficado fora de suas telas de radar através das décadas em que as deficiências de magnésio têm se transformado em uma bola de neve crescente.

Sintomas de Deficiência de Magnésio
Os primeiros sintomas de deficiência podem ser sutis - como a maior parte do magnésio é armazenada nos tecidos, cólicas nas pernas, dor no pé, ou músculo, "contrações musculares" pode ser o primeiro sinal. Outros sinais precoces de deficiência incluem perda de apetite, náuseas, vômitos, fadiga e fraqueza. Conforme a deficiência de magnésio piora, dormência, formigamento, convulsões, mudanças de personalidade, ritmos cardíacos anormais e espasmos coronarianos podem ocorrer.
Um esboço completo de deficiência de magnésio foi apresentado com belo trabalho em um artigo recente do Dr. Sidney Baker. "A deficiência de magnésio pode afetar praticamente todos os órgãos do corpo. Em relação ao músculo esquelético, pode-se experimentar contrações musculares, cãibras, tensão muscular, dor muscular, incluindo dores nas costas, dor de garganta, dores de cabeça de tensão e disfunção articular da mandíbula. Além disso, pode-se experimentar aperto no peito ou uma sensação peculiar de que ele não pode respirar fundo. Às vezes a pessoa pode suspirar muito.
"Sintomas que envolvem a contração prejudicada de músculos lisos incluem constipação, espasmos urinários, cólicas menstruais, dificuldade em engolir ou um nó na garganta, especialmente provocado por comer açúcar, fotofobia, especialmente dificuldade em se ajustar a faróis brilhantes na ausência de doença ocular, e alta sensibilidade ao ruído a partir da tensão muscular do nervo “stapedius” no ouvido médio."
Continuando com os sintomas de deficiência de magnésio, o sistema nervoso central é marcadamente afetado. Sintomas incluem insônia, ansiedade, hiperatividade e inquietação com movimento constante, ataques de pânico, agorafobia (medo de espaços abertos e multidão), e irritabilidade pré-menstrual. Sintomas de deficiência de magnésio envolvendo o sistema nervoso periférico incluem dormência, formigamento e outras sensações anormais, tais como “zips, zaps” (?) e sensações vibratórias.
"Sintomas ou sinais do sistema cardiovascular incluem palpitações, arritmias cardíacas e angina devido a espasmos das artérias coronárias, pressão arterial elevada e prolapso da válvula mitral. Tenha consciência de que nem todos os sintomas precisam estar presentes para presumir deficiência de magnésio, mas, muitas delas muitas vezes ocorrem em conjunto. Por exemplo, as pessoas com prolapso da válvula mitral frequentemente têm palpitações, ansiedade, ataques de pânico e sintomas pré-menstruais. Pessoas com deficiência de magnésio muitas vezes parecem ser "tensas." Outros sintomas gerais incluem um desejo de sal, desejo intenso e intolerância aos carboidratos, especialmente de chocolate, e dores mamárias".
O magnésio é necessário para todas as células do corpo, incluindo as do cérebro. É um dos minerais mais importantes quando se considera a suplementação por causa de seu papel vital em centenas de sistemas enzimáticos e funções relacionadas a reações no metabolismo celular, além de ser essencial para a síntese de proteínas, para a utilização de gorduras e carboidratos. O magnésio é necessário não só para a produção de enzimas de desintoxicação específicas, mas também é importante para a produção de energia relacionada à desintoxicação celular. A deficiência de magnésio pode afetar praticamente todos os sistemas do corpo.
Água mineral rica em magnésio pode prevenir a deficiência de magnésio
Como a água, precisamos de magnésio todos os dias. Há uma necessidade eterna de magnésio, bem como de água e se o magnésio está presente na água, a vida e saúde são reforçadas.
Uma das principais razões de médicos prescreverem milhões de receitas para tranqüilizantes a cada ano é o nervosismo, irritabilidade e nervosismo em grande parte provocada por dietas inadequadas principalmente falta de magnésio. Pessoas apenas ligeiramente deficientes em magnésio tornam-se irritáveis, altamente sufocadas, e sensíveis ao ruído, hiper-excitáveis, apreensivas e beligerantes. Se a deficiência é mais grave ou prolongada, eles podem desenvolver espasmos, tremores, pulso irregular, insônia, fraqueza muscular, atordoamentos e cãibras na perna e nos pés.
Se o magnésio é severamente deficiente, o cérebro é particularmente afetado. O pensamento nublado, a confusão, a desorientação, a depressão acentuada e até mesmo as aterradoras alucinações do “delirium tremens” são em grande parte provocadas pela falta desse nutriente, e resolvidas quando o magnésio é administrado. Já que a grande quantidade de cálcio é perdida na urina quando o magnésio está subministrado, a falta deste nutriente indiretamente torna-se responsável por deterioração dentária desenfreada, desenvolvimento ósseo pobre, osteoporose e lenta cicatrização de ossos quebrados e fraturas. Com a vitamina B6 (piridoxina), o magnésio ajuda a reduzir e dissolver cálcio e pedras nos rins.
A deficiência de magnésio pode ser um fator comum associado à resistência à insulina. Os sintomas de Esclerose Múltipla que também são sintomas de deficiência de magnésio incluem espasmos musculares, fraqueza, espasmos, atrofia muscular, incapacidade de controlar a bexiga, nistagmo (movimentos oculares rápidos), perda auditiva e osteoporose. As pessoas com EM têm taxas mais altas de epilepsia do que os controles. A epilepsia também tem sido associada a deficiências de magnésio. [1]
Outra boa lista de sintomas de alerta precoce sugestivos de insuficiência de magnésio:
Fadiga física e mental, contração muscular subjacente persistente, tensão na parte superior das costas, ombros e pescoço, dores de cabeça, retenção de líquidos pré-menstrual e / ou sensibilidade mamária
Possíveis manifestações de deficiência de magnésio incluem: energia baixa, fadiga, fraqueza, confusão, nervosismo, ansiedade, irritabilidade, convulsões (e birras), má digestão, TPM e desequilíbrios hormonais, incapacidade de dormir, tensão muscular, espasmos e cólicas, calcificação de órgãos, enfraquecimento dos ossos, ritmo cardíaco anormal
Deficiência de magnésio grave pode resultar em baixos níveis de cálcio no sangue (hipocalcemia). A deficiência de magnésio também está associada a baixos níveis de potássio no sangue (hipocalemia). Os níveis de magnésio caem à noite, levando a ciclos de sono REM (Rapid Eye Movement) e ao “sono que não relaxa”. Dores de cabeça, visão turva, úlceras na boca, fadiga e ansiedade também são sinais precoces de esgotamento.
Nós ouvimos o tempo todo sobre “como a doença cardíaca é a crise de saúde número um no país, sobre como a pressão arterial elevada é o "assassino silencioso", e sobre como um número cada vez maior de pessoas estão tendo suas vidas e a vida de suas famílias destruída pelo diabetes, doença de Alzheimer, e uma série de outras doenças crônicas.

Os sinais de deficiência grave de magnésio incluem:
sede extrema, fome extrema, micção frequente, feridas, ou feridas que cicatrizam lentamente, pele seca e pruriginosa, perda de peso inexplicada, visão embaçada que muda de dia para dia, cansaço ou sonolência anormais, formigamento ou dormência nas mãos ou nos pés, frequentes ou recorrentes infecções de pele, gengiva, bexiga ou vaginais por levedura
Mas veja, não são os mesmos sintomas para o diabetes? Muitas pessoas têm diabetes por cerca de 5 anos antes de mostrar sintomas fortes. Por esse tempo, algumas pessoas já têm danos no olho, rim, gengiva ou nervo causados pela deterioração das condições de suas células devido à resistência à insulina e deficiência de magnésio. Jogue um pouco de mercúrio e arsênico sobre a mistura de causas (etiologias) e pronto, temos a condição de doença que chamamos de diabetes. Deficiência de magnésio é sinônimo de diabetes e está na raiz de muitos, se não todos os problemas cardiovasculares.
A deficiência de magnésio é um prenunciador de diabetes e doença cardíaca ambos; Diabéticos precisam de mais magnésio e perdem mais magnésio do que a maioria das pessoas. Em dois novos estudos, tanto homens como mulheres, aqueles que consumiram mais magnésio em sua dieta foram menos propensos a desenvolver diabetes tipo 2, de acordo com um relatório na edição de janeiro de 2006 da revista Diabetes Care. Até agora, muito poucos estudos grandes examinaram diretamente os efeitos a longo prazo do magnésio dietético na diabetes. Dr. Simin Liu, da Harvard Medical School e da Escola de Saúde Pública de Boston, diz: "Nossos estudos forneceram alguma evidência direta de que maior ingestão de magnésio na dieta pode ter um efeito protetor a longo prazo na redução do risco", disse Liu, que estava envolvido em ambos os estudos.
A sede no caso de diabetes é parte da resposta do corpo à micção excessiva. A micção excessiva é a tentativa do corpo para se livrar da glicose extra no sangue. Esta micção excessiva provoca o aumento da sede. Mas temos que olhar para o que está causando esse nível de desarmonia. Temos de investigar mais profundamente camadas de causa. O corpo precisa de despejo de glicose por causa do aumento da resistência à insulina e que a resistência está sendo alimentada diretamente pela deficiência de magnésio, o que torna os insultos tóxicos mais prejudiciais para os tecidos, ao mesmo tempo.
Quando os diabéticos obtêm açúcares sanguíneos muito altos, o corpo cria "cetonas" como um subproduto da quebra de gorduras. Estas cetonas causam a acidez do sangue que causa "acidose" do sangue, levando à cetoacidose diabética (DKA), esta é uma condição muito perigosa que pode levar ao coma e à morte. É também chamado de "acidose diabética", "cetose", "cetoacidose" ou "coma diabético". DKA é uma maneira comum para novos diabéticos tipo 1 a ser diagnosticado. Se eles não conseguem procurar aconselhamento médico sobre sintomas como micção, que está levando a sede eles podem morrer de DKA.
Os suplementos de magnésio oral reduzem a desidratação dos eritrócitos [2]. Em geral, os equilíbrios ótimos dos electrólitos são necessários para manter a melhor hidratação possível. A sede diabética é iniciada especificamente pela deficiência do magnésio com o excesso relativo do cálcio nas células. Até mesmo água, nosso nutriente mais básico começa a ter dificuldade em entrar nas células que tem então mais vazão de saída pelos rins.

Autismo e Deficiência de Magnésio
Ao lidar com o espectro autista e outros distúrbios neurológicos em crianças é importante saber os sintomas de baixo teor de magnésio,ou seja: agitado, não pode manter-se imóvel, balança o corpo, dentes moídos, soluços, ruído sensível, agressivo, pronto para explodir, facilmente estressado. Quando se trata de crianças hoje, precisamos assumir uma grande deficiência de magnésio por várias razões.
1) Os alimentos que eles estão comendo são desprovidos de magnésio, porque os alimentos em geral, como veremos abaixo estão declinando no teor deste mineral de forma alarmante.
2) Os alimentos que muitas crianças comem são alimentos processados ou altamente processados que não fornecem a nutrição real ao corpo.
3) Já que a maioria de crianças na amostra não estão absorvendo os minerais que necessitam mesmo quando presente no estômago, a absorção de magnésio é dependente da saúde intestinal, que no caso é comprometida totalmente em síndromes de intestinos “que vazam os minerais” além de outros problemas intestinais
4) Os suplementos orais em que os médicos confiam não são facilmente absorvidos, pois eles não estão na forma correta, e o magnésio em geral não costuma ser administrado ordinariamente por via oral.

A medicina moderna é suposta a ajudar as pessoas, e não prejudicá-las mas, com a sua ignorância quase total sobre o magnésio, médicos acabam prejudicando mais do que eles ajudam pelo fato de muitas das intervenções médicas conduzirem para baixo os níveis de magnésio quando eles deveriam estar aumentando-os. Muitas, se não a maioria das drogas farmacêuticas conduzem os níveis de magnésio em zonas perigosamente baixas e a cirurgia feita sem aumentar os níveis de magnésio é muito mais perigosa que cirurgia feita com níveis adequados.
O fundamento da arrogância médica é realmente a ignorância médica, e a única razão de a ignorância e arrogância regerem o campo de atuação da medicina é uma cobiça e avidez por poder e dinheiro. A natureza humana parece estar no seu pior momento na medicina moderna quando deveria estar no seu melhor. É triste que as pessoas sofram desnecessariamente e é extraordinariamente trágico que a medicina alopática virou as costas para o Juramento de Hipócrates e tudo o que ele significa.

Referências

  •  Postagem feita por tradução livre (mais adendo inicial de Arnaldo Preto) a partir de artigo do site http://www.greenmedinfo.com/blog/magnesium-deficiency-symptoms-and-diagnosis publicado pela primeira vez como: Magnesium Thirst Magnesium Hunger (Sede e Fome de Magnésio)
  •  http://www.nhfw.info/magnesium.html
  • Dr. Mark Sircus, Ac., OMD, DM (P) (acupunturista, doutor da medicina oriental e pastoral) é um escritor prolífico e autor de alguns livros médicos surpreendentes relacionados à saúde. Seus livros são fortemente referenciados, e por muitos anos o Dr. Sircus tem pesquisado sobre a condição humana e sobre as causas da doença; Ele destilou muitos dos sistemas médicos divergentes em uma nova forma de medicina que ele inventou: Medicina Alopática Natural.
  •  Este artigo tem direitos de autor por GreenMedInfo LLC, 2016

domingo, 25 de outubro de 2015

A Filosofia por trás do Veganismo

Dois veganos famosos
Se juntarmos num mesmo grupo pessoas como Einstein, Platão, Buda, Isaac Newton, Tolstoi, Brad Pitt, Drew Barrymore, Richard Gere, Steve Jobs, John Lennon, Kim Bassinger, Terence Stamp, Sting, Brigitte Bardot, Gandhi, Hipócrates, Tesla, Da Vincci, Clinton, Johnny Depp e mais uma lista incontável de gente, a característica comum é que eles são ou foram veganos ou vegetarianos. Substituiram proteina animal por vegetal. Porque?
Porque o boom do veganismo está conquistando rapidamente o mundo inteiro? Se você digitar hoje 25/10/2015 a palavra “vegan” no Google, aparecem 152 milhões de resultados (há 7 dias atrás era 150 milhões). Experimente. Amanhã será mais. Ano que vem? Imprevisível. O que está acontecendo? As pessoas estão acordando para o fato de que um movimento que junte alimentação saudável, compaixão animal e meio ambiente só pode ser coisa boa.
O crescimento do veganismo está atingindo o “modo exponencial” em todo o mundo, turbinado pelos meios de comunicação que promovem pessoas  veganas e vegetarianas famosas em todas as áreas do conhecimento: cinema, ciências, política, religião, mídia, tecnologia, tudo. O que está por trás disso? Muita coisa, mas uma delas é o fato misterioso de que de uns anos para cá há muitas crianças no mundo inteiro que já estão nascendo recusando proteína animal, e inclusive reeducando seus pais. Porque? Defesa da natureza? Uma sabedoria intuitiva orientando a raça humana? Mistéério.
Então você pergunta: e qual a diferença entre ser vegetariano e vegano? Como sempre a resposta é ampla, abrangente e mais rica que a pergunta. Vamos ver os fatos por trás...
Os primeiros veganos registrados pela História foram os essênios, judeus da Palestina do século II a.c.. Dizem que Jesus foi educado por eles. Se foi mesmo, era vegano. O primeiro vegano pop star...
Donald Watson, o carpinteiro inglês fundador formal do movimento nos tempos modernos dizia que “o Veganismo é a junção da alimentação saudável e outros cuidados com a saúde, compaixão pelos animais e respeito pelo meio ambiente”. Curto e grosso. Como já faziam os essênios. Parece fácil, mas a junção e o exercício consciente dessas 3 coisas é para poucos porque solicita uma postura física, emocional e mental.
Já o vegetarianismo consiste num modelo que se aproxima gradualmente do veganismo, tendo vindo do onivorismo (quem come de tudo), ou seja, quem come de tudo vai, por alguma razão, desistindo dos produtos animais, vai ficando gradualmente vegetariano puro, e se já tiver ou desenvolver compaixão e respeito animal, e ambiental, se torna vegano. Pronto.
Watson até dizia: que “- O vegetarianismo é um passo intermediário entre o onivorismo e o Veganismo. Há veganos que fizeram a transição em uma única etapa, mas a maioria das pessoas precisa do estágio intermediário.” É compreensível, pois uma coisa é se preocupar com a própria saúde individual ou da família, mas outro nível qualitativo e evolutivo é ter compaixão pelo animal e respeito pelo planeta e portanto por toda a humanidade. Isso já é coisa de gente grande. Há quem diga que deveríamos mesmo fazer como os índios americanos que ao colher uma planta para alimentação ou remédio, pedem desculpas ao espírito dela porque ela é um ser vivo e senciente (sensível). Na minha infância a gente não fazia isso mas orava na mesa agradecendo pelo alimento.
Mas, porque dissemos que o vegetarianismo se aproxima “gradualmente” do veganismo? Porque em termos práticos há uma gradação de tipos de vegetarianos com relação aos tipos de proteína animal, dada a dificuldade de abandonar os antigos hábitos alimentares. São 4 tipos “graduais” de auto-denominados vegetarianos:
  • O que também come algum peixe, como fazem alguns  da“macrobiótica light”. Na falta de nome melhor vamos chamá-lo de ictio-vegetariano já que ictios é peixe em grego. Acabei de batizar essa agora (rsrs)
  • O que come leite e derivados como manteiga, iogurte e queijos (lacto-ovo-vegetariano)
  • O que come ovos (ovo-vegetariano)
  • O que come só vegetal (vegetariano estrito). Este está mais próximo do vegano. Só falta a compaixão e o respeito ambiental (que parece fácil, fácil...)
Isso sem falar nos que comem mel, ou usam lã e seda naturais, produtos obtidos de animais e portanto criticados e recusados pelos veganos. E também dos crudívoros, variação que só come comida vegetal crua (comida viva). E os que comem vegetais levemente cozidos no vapor para não alterar a qualidade energética do alimento.
Vale notar também que o veganismo, sem exclusividade mas por bom senso, contempla outras  preocupações muito atuais que tiram o sono dos aficionados da saúde quanto aos alimentos: é crucial problema do açúcar, sal, química, inseticidas, transgênicos, fiscalização inexistente ou corrupta, todas elas frutos do capitalismo empresarial voraz.  Vamos falar destas preocupações em outra oportunidade. Alimentação que se preze não pode esquecer isso.
Vem daí o crescimento acentuado dos produtos orgânicos na produção vegetal feito por micro-produtores artesanais. Artesanais porque a agricultura orgânica não funciona em grandes volumes, em escala intensiva de monocultura, pois ela nada mais é que a agricultura antes da revolução industrial e do capitalismo moderno e, portanto, requer cuidados específicos de natureza holística no plantio e colheita. Agricultura holística é o canal.
Mas quanto à alimentação, não acredite no que eu falo. Nem em ninguém, independente dos diplomas e da pompa dos títulos. Neste aspecto cabe um conselho que exercitei a vida toda: teste tudo em você mesmo (a) todo o tempo, alimentos, chás, remédios, posturas, tradições e observe, estude e tire suas próprias conclusões. Sempre. Quem fazia isso era Hipócrates (pai da Medicina moderna), Paracelso (alquimista), Hanneman (o da Homeopatia), Bach (o dos sais, não o músico), e Arnaldo Preto... (rsrs). Eu nem conto tudo o que já testei em mim mesmo, para não ser chamado de louco. Sério. Alguns amigos e minha mulher é que sabem. Aquela santa.
Já que estamos falando de “gente fora da curva normal”, no extremo há também os breatharians (respiratorianos) e os sungazers (que, como eu há 6 anos, olham para o sol) adeptos da alimentação prânica, mas esse assunto fica para uma próxima, pois vai dar um nó em algumas cabeças menos avisadas (rsrs). Tudo a seu tempo.
Mas vamos fazer um resumo sobre que tipo de temas compreendem os 3 itens veganos de Watson e quais os problemas que atualmente existem com os quais você vai se deparar no sentido de exercitar uma compreensão do veganismo e defender a sua saúde. Como não podia deixar de ser, vamos jogar um pouco de farofa no ventilador...(Hê... Hê... Hê...)
 Recordando, são eles os temas: alimentação e saúde, compaixão pelos animais, e respeito pelo meio ambiente. Vamos lá:

  • ALIMENTAÇÃO E SAÚDE
Alimento e remédio
O pai da Medicina, Hipócrates, dizia “faz do alimento o seu remédio”. Mas ele só é lembrado pelos médicos no dia do juramento na formatura na faculdade. A frase é esquecida já na festa de formatura. Depois disso, quando é preciso prescrever um remédio ele receita baseado nas informações “insuspeitas” do promotor dos laboratórios farmacêuticos que o visita periodicamente e ganha para isso, e passa a ser o seu consultor, assessor e informante técnico, turbinado pelas promoções que recebe sobre o volume de vendas da indústria farmacêutica e oferecendo uma pá de promoções que incluem viagens, produtos e dinheiro. Muitos médicos alegam que “não tem tempo para estudar” a não ser rapidamente no Google, entre um emprego e outro. Isso é verdade, pelo volume de informações e remédios produzidos hoje. São vítimas eles também, além de réus como todos nós.
Felizmente estamos presenciando um número crescente de médicos percebendo a importância da medicina holística e funcionando como pontes entre essa medicina falsa que se deixou pautar pela indústria do remédio e também a medicina oriental associada às tradições (ayur-védica, hindu, taoista, budista, etc.) e também recomendando a agricultura orgânica na produção de alimentos.

Prevenção e saúde
Nas faculdades no mundo inteiro há pouquíssimos cursos e informações sobre a abordagem preventiva das doenças que poderia ser dada em cursos e cadeiras de Alimentação nas faculdades, seguindo a linha do pai da medicina. A única forma de fugir das doenças e escapar das cirurgias, remédios perigosos e caros, e da velhice sem qualidade de vida é a profilaxia, ou seja, PRE-VEN-ÇÃO!
Pesquisei no curso de Medicina da USP em São Paulo e não há nada, nenhuma matéria preventiva sobre alimentação que seja dada nos cursos obrigatórios de formação de médicos. Só há poucas informações no caso de pacientes pós-operatórios quando o pote já quebrou e o leite já derramou. Hipócrates não vai gostar nada disso. E essa falta de medicina alimentar preventiva deve ser assim nas faculdades no mundo todo. As indústrias alimentar, da proteina animal e farmacêutica aplaudem de pé, é claro, pois vendem mais por conta disso. Fique atento: a alimentação correta é a verdadeira prevenção. E ponto. Além dos exercícios físicos, como não poderia deixar de ser.

Química e saúde
Não se iluda. No que diz respeito aos produtos químicos na sua alimentação você está sozinho e totalmente desamparado. Todo o alimento industrializado é ruim, mesmo o que parece maravilhoso nos comerciais de TV.  Fique atento. Se você tiver paciência e olhar os rótulos dos produtos que consome nos supermercados vai ficar assustado com o que aparece, mas também e talvez principalmente, com o que não aparece. É o caso dos transgênicos, inseticidas e adubos nos vegetais frescos, e aquelas siglas e códigos em letras minúsculas nas embalagens indicando conservantes, homogeneizantes, acidulantes, espessantes, flavorizantes, o diabo... A longo prazo é tudo veneno. E ninguém relaciona isso com o atual aumento exponencial de doenças do coração, sistemas digestivo e circulatório, pressão arterial, ossos, ligamentos, doenças mentais, pele. E tudo “autorizado e controlado” pelas autoridades. Só para constar: quem liberou os transgênicos no Brasil foi aquele ex-sindicalista barbudo que hoje está na mira da Lava Jato em Curitiba.

Saúde, proteção e controle
Você acredita que o governo vai ajudar você?  Não vai. Há no mundo inteiro um complô silencioso e um lobby maligno entre empresas alimentícias, químicas e agropecuárias com suas truculentas e corruptas entidades associativas, médicas, organizações de controle governamental (tipo FDA – Foods and Drugs Administration, nos EUA) ou seus correspondentes no Brasil (SIF – Serviço de Inspeção Federal, DIPOA – Inspeção de Produtos Animais, Anvisa – Ag. Nac. de Vigilância Sanitária), e também fiscais, políticos, legisladores, juízes (todos os que supostamente deveriam proteger você). A pressão combinada do capitalismo, política, mídia paga, e justiça, impede o homem comum de ver qualquer coisa. Para desmoralizar os que reclamam, eles falam que tudo é "a teoria da conspiração". E convencem.
Você que está hoje vendo na mídia os resultados da luta contra a corrupção em entidades governamentais e partidos políticos no Brasil, confia no governo, políticos e nessas entidades que afirmam proteger a sua saúde? Elas realmente fiscalizam as empresas que poluem e adicionam “legalmente” venenos à sua saúde ou são manipuladas e pagas pelos lobbies? Ou os fiscais delas, que deveriam proteger a sua saúde, são subornados por interesses econômicos delas contra você? A resposta todos sabem. Você decide o que fazer. Eu vou ao supermercado, leio o rótulo e não compro. Aliás os rótulos já omitem muita coisa mesmo. E não tomo remédio. Quem toma é porque comeu mal sejam alimentos, emoções ou impressões. Não fez a prevenção com o alimento, que deveria ser o seu remédio.
Muita coisa escapa dos rótulos do supermercado. 
Publiquei há um tempo atrás uma postagem sobre esse incrível povo vegetariano, os Hunza. Um trecho diz: “Lembrei-me agora de um fazendeiro pecuarista, pai de uma amiga de São José do Rio Preto, S.P., que perguntado por mim como fazia para evitar que o seu gado fosse rejeitado no abate logo após ter tomado os perigosos remédios e hormônios de crescimento, respondeu: "- Não há controle nenhum. Se a fazenda tiver uma promissória vencendo no banco e eu tiver que pagar, não tem jeito. O gado vai para o abate. Não há fiscalização suficiente mesmo”.

Saúde e corrupção
Qual a ligação entre saúde e corrupção? Você já vai perceber. Corrupção e descontrole no Brasil é o que se vê hoje no INSS, Petrobrás, Eletrobrás, etc., e certamente toda a estrutura do governo nos 3 poderes (executivo, legislativo e judiciário) e nos 3 níveis (federal, estadual e municipal). A verdade é: qualquer pessoa que tem algum poder em mãos só quer transformar o poder que tem em dinheiro.  Todos sabemos que o ser humano é assim. Se você quiser conhecer alguém de fato, dê poder para ele. Estamos vendo esse filme a toda hora.
 Não é preciso ir para Brasília. Todos estamos vendo a corrupção acontecer à nossa volta na vida habitual, e às vezes até com a nossa participação, displicência ou falta de ação. É com o zelador do prédio, o síndico, o guarda de trânsito, o policial, o “servidor” público, o sindicalista (vixe!), o vereador, o deputado, o juiz, o ministro, gerente, diretor, o presidente das empresas e da república. A conseqüência disso é que você está sendo enganado, sozinho e desamparado. E paga a conta. Como? Com os impostos que aumentam para cobrir o rombo, ou com os péssimos serviços de saúde, atendimento, hospitais, saneamento, educação, segurança cujo dinheiro está na Suiça e paraísos fiscais. E, no mais das vezes, paga a conta com o seu dinheiro suado, com a preocupação com o futuro dos filhos, a pressão alta, o colesterol, o mau humor, a raiva, o descontrole, e por aí afora. Não há saúde que agüente, ôsh!

Exercício físico
Nos anos sessenta e setenta eu estudava e praticava exercícios de saúde taoistas com um simpático velhinho japonês no bairro da Liberdade em Sampa, chamado Zenzo Yamamoto. Um mestre. O pai ou avô de vocês deve ter ouvido falar nele. Com 75 anos se dava ao luxo de fumar de vez em quando um cigarrinho de palha (como o Clinton... rsrs).
Um dia eu, que corria 12 km por dia na pista de borracha do estádio do Ibirapuera, perguntei a ele se correr era o melhor esporte para a saúde. Ele disse: “Correr é para cavalo. O homem anda. Anda muito”. Hoje sei que isso é verdade. Curiosamente, a corrida excessiva é o único diagnóstico que tive sobre a causa da minha necrose do fêmur aos sessenta e poucos anos.
Caminhar é tudo o que a gente precisa saber sobre corrida e esportes. Caminhar muito. As Olimpíadas são um mito. Um mau mito da humanidade.

 O tripé da Saúde
Outro assunto que tenho aprendido um dia depois do outro é que a saúde é um composto equilibrado de 3 coisas: saúde física, emocional e mental. A emocional é tão ou mais importante que a saúde física e elas fazem parte de um conjunto integrado com a saúde mental. A meditação, ou contemplação, é a cola que junta as três num conjunto harmônico. Há 3 coisas que precisam ser trabalhadas tanto na meditação como na ação no dia-a-dia: silêncio no mental, calma no emocional, e relaxamento no físico. E a chave está no emocional. É o centro de gravidade do humano. O nó do borogodó. Há uma literatura interminável sobre o assunto. Vamos falar disso em breve.

  • COMPAIXÃO PELOS ANIMAIS
É simples. A melhor forma de ter compaixão pelos animais é não matá-los. E nem comê-los. Isso já seria um bom começo. Depois vem essa "escolha de Sofia" entre quem é o meu pet querido e quem eu vou comer no almoço. Depois, na ordem, vem o cuidado com a alimentação e saúde deles. O carinho. O afago. O cafuné. Felizmente compaixão tem além de uma componente herdada dos pais, uma outra fornecida pela educação, tanto dos pais, da escola, dos bons amigos, do exemplo. Estamos no meio do caminho, mas a coisa está felizmente crescendo no mundo inteiro.
Os temas que mais precisam ser trabalhados são:
Matar animais por alimentação, por diversão, exaustão, indiferença, descuido, testes de produtos e medicamentos, crueldade delegada, especismo, dano colateral, etc.
Você já viu a morte de animais na indústria e a produção de enlatados? Nem veja. A internet mostra o absurdo com detalhes. Isso porque todas as religiões falam que eles são “criação de Deus”. Já pensou se não fossem?  Paul Mc Cartney pegou bem o espírito disso quando falou: "Se os matadouros tivessem paredes de vidro, todos seriam vegetarianos”.
O caminho mais eficiente de proteger os animais é influenciar os políticos e legisladores através da pressão popular das redes sociais e da mídia. Após esse pontapé inicial as ações ficam legitimadas e portanto mais fáceis para serem ativadas pela rede de protetores que já é grande no Brasil e no mundo todo. A mídia e redes sociais desempenham um papel crucial no processo.

  • RESPEITO PELO MEIO AMBIENTE
Bruce Hamilton, diretor executivo do Sierra Club, uma das 3 maiores fundações de proteção do meio ambiente do mundo disse: “- Os climatologistas nos dizem que o nível seguro mais elevado de emissões seria aproximadamente 350 ppm (partes por milhão) de gases de efeito estufa na atmosfera (CO2 – dióxido de carbono) e já estamos em 400. Dizem que a temperatura segura que poderíamos produzir sem consequências perigosas quanto à seca, fome, conflitos humanos e extinção de espécies, seria um aumento de mais 2 °C na temperatura média atual do planeta. Chegaremos lá rapidamente, e com tanto CO2 já existente na atmosfera, vamos ultrapassar facilmente isso. Portanto, estamos assistindo a próxima grande extinção de espécies na Terra, algo que não ocorria desde o desaparecimento dos dinossauros. Quando houver países submersos com a subida do nível do mar, quando houver países sofrendo com a seca ao ponto de não poderem alimentar a população e esta precisar migrar para outro país ou invadir outro país, teremos guerras climáticas.” É um estágio depois de guerras religiosas.
Mas há uma desinformação ou contradição nisso e que é o que mais interessa: um relatório publicado pela ONU diz que o gado produz no mundo mais gases de efeito estufa que todo o setor dos transportes (terrestre, aéreo e marítimo). Ou seja, criar gado gera mais gases de efeito estufa que todos os carros, caminhões, trens, barcos e aviões no mundo (13%, contra os 18% gerados pelo gado). Isto porque as vacas produzem um incrível volume de gás metano a partir do seu processo digestivo. 

O gás metano produzido pelo gado é 25 a 100 vezes mais destrutivo que o dióxido de carbono dos veículos! Repetindo: O GÁS METANO PRODUZIDO PELO GADO É 25 A 100 VEZES MAIS DESTRUTIVO QUE O DIÓXIDO DE CARBONO DOS VEÍCULOS! Você sabia? E nós andamos alegremente de bicicleta para ajudar a reduzir as emissões de CO² dos carros. Brincadeira.
Mas o problema não está apenas nos combustíveis fósseis. A produção de proteína animal não só contribui para o aquecimento global via metano produzido pelo gado, como é a maior causa de consumo de recursos (água e dinheiro) e degradação ambiental. E os websites das maiores organizações ambientais como a 350.org, Greenpeace, Sierra Club, Climate Reality, Rainforest Action Network, Amazon Watch não falam nada sobre a agropecuária. Nem os governos. Porquê?
A chamada “fratura hidráulica” do gás natural (gasto de água para produzir algo) gasta muita água. Gastam-se incríveis 378 bilhões de litros anualmente nos EUA, mas só neste país, a agropecuária consome 128 bilhões de litros de água. E as emissões de metano de ambos os ramos são quase iguais. O californiano gasta em média 5600 litros por pessoa, por dia! Metade disso refere-se ao consumo de carne e laticínios. A carne e os laticínios exigem muita água, em parte porque os animais lá nos EUA comem cereais que requerem muita água para serem produzidos. Cereais é o que eles comem diferentemente dos povos pobres. A água que está no cereal que o animal come é considerada parte do valor de água virtual atribuída à carne. A sua pegada ecológica e hídrica. No Brasil a maioria do gado come capim, mas para isso desmatam tudo, principalmente a Amazônia o que é pior ainda. A continuar produzir carne podemos optar entre a frigideira ou as brasas.
Um hambúrguer de 110 g para chegar à sua mesa no Mac Donald’s requer mais de 2500 litros de água para ser feito! São necessários mais de 10.000 litros de água (10 toneladas) para produzir meio quilo de carne! 
Fala-se muito em reduzir o consumo doméstico de água, mas isso é apenas 5% do que os EUA consomem comparados com os 55% da agropecuária. As campanhas do Governo dão dicas para poupar água, como usar torneiras e aparelhos sanitários mais eficientes, mas nada falam sobre a agropecuária. Porque será?
Você já percebeu né? Ninguém (mídia, governo e organizações ambientais por razões diferentes) fala disso por causa do poder de lobby da indústria de proteína animal, carne, ovos, queijo e leite e todos os seus derivados. A mídia pelos gastos de publicidade, o governo pelos impostos que arrecada e as “.org ambientais” como o Greenpeace e outras, pelas doações recebidas do setor agropecuário- industrial. E ficam protegendo os golfinhos, focas e tubarões como se estes vivessem em outro planeta. A gente que se dane. E nós estamos aqui... tranqüilos como o cara que pulou do 18º andar, ao passar pelo 3º e pensou: “Até aqui, tudo bem.”
O alarmante de tudo isto é que se as emissões de carbono dos veículos pararem hoje, em 10 a 20 anos tudo começa a se recompor (se a Amazônia não acabar em 10 a 15 anos conforme previsto, é claro), mas o metano existente leva mais de 100 anos para ser absorvido. Tá bom ou quer mais?
E nem estamos falando da extinção acelerada de abelhas, insetos e morcegos, todos polinizadores e a sua conseqüência previsível no colapso da agricultura.
Parece que a Humanidade não está bem na fita, hein moçada?
Por isso Einstein e Da Vincci disseram (antes mesmo do veganismo):
  • "Nada beneficiará tanto a saúde humana e aumentará as chances de sobrevivência da vida na Terra quanto a evolução para uma dieta vegetariana. A ordem de vida vegetariana, por seus efeitos físicos, influenciará o temperamento dos homens de uma tal maneira que melhorará em muito o destino da Humanidade." Einstein
  • "Haverá um tempo em que os seres humanos se contentarão com uma alimentação vegetariana e julgarão a matança de um animal inocente da mesma forma como hoje se julga o assassino de um homem."
    Leonardo da Vinci
Pronto. Falei.

Referências:
·        Vídeo “Cowspiracy” legendado:  HTTP://serluminoso.blogspot.com
·        Revista Vegan News


sábado, 17 de outubro de 2015

Tributo ao criador do Veganismo

Donald Watson, fundador do
 Veganismo
“No mundo atual, conturbado, as pessoas têm manifestado uma preocupação clara com a sua própria saúde física e emocional e a dos seus próximos. Já se percebe também iniciativas tímidas e atrasadas de governos com relação à saúde, sobrevivência e ao bem estar dos cidadãos e portanto de toda a humanidade. Já não era sem tempo. A alimentação ocupa um lugar de destaque nessa arena.
Ao lado disso nota-se no mundo que, apesar do desrespeito dos humanos com os seus próprios semelhantes, está a pleno vapor ainda que incipiente, uma preocupação com os animais e com o meio ambiente. Curiosamente o budismo, a única “religião sem Deus” ensina esse respeito aos animais e ao meio ambiente através da Compaixão, do reconhecimento da ”existência do outro”, mesmo que sejam animais e portanto “inferiores”, como pensam alguns. 
E pensei: qual deveria ser o tema do primeiro artigo sobre o tema? Tanta coisa para falar... Então me lembrei de uma frase de um livro de Carlos Castaneda em que seu mestre Don Juan o sábio índio e xamã diz a ele: “ A totalidade de um caminho está no primeiro passo”. E cuidadosamente escolhi como tema do artigo a visão simples e profunda do próprio criador do Veganismo que conseguiu em 1944 juntar alimentação saudável, saúde, compaixão, respeito aos animais e ao meio ambiente. Um mestre raro.” A visão dele foi o primeiro passo do Veganismo.
Esta é então a entrevista com Donald Watson, fundador da britânica Sociedade Vegana  (Vegan Society), para celebrar o Dia Mundial do Veganismo.
Donald Watson era um Virginiano, portanto ligado ao tema da saúde, e nascido em 02 de setembro de 1910, em South Yorkshire, Reino Unido e falecido em 16 de novembro de 2005, em Cumbria, Reino Unido. É dele a invenção da palavra "Vegano" com sua esposa Dorothy. Fundou a Sociedade Vegana em 1944, fim da guerra, época de renascimento e construção. Profissão: carpinteiro e professor de carpintaria. Vegetariano por mais de 80 anos, vegano por 60 anos. Esta entrevista foi publicada pela primeira vez em "O Vegano" na edição de verão de 2003. Vamos lá:

George D. Rodger: - Quando e onde você nasceu?
Donald Watson: - Nasci no dia 02 de setembro de 1910 em Mexborough em South Yorkshire, em uma família onívora (comiam de tudo).
G: Conte-me sobre sua infância.
Uma das minhas primeiras lembranças é de férias na fazenda do meu tio George, onde ele estava sempre rodeado de animais interessantes. Segundo ele, todos os animais "deram" alguma coisa: o cavalo da fazenda puxava o arado, o cavalo mais ligeiro levava as pessoas, a vaca "deu" leite,  a galinha "deu" ovos e o galo foi um despertador útil. Então, eu não sabia que eles também tinham outra função. A ovelha "deu" lã. Eu nunca entendi o que "deu" o porco, mas eles pareciam criaturas tão amigáveis que eu sempre simpatizei com eles. Então chegou o dia quando um dos porcos foi morto: até hoje eu tenho memórias vívidas de todo o processo - incluindo gritos - claro. Uma das coisas que mais me surpreendeu foi que o meu tio George, que eu via em alta conta, fazia parte do grupo. Eu decidi que a fazenda - e tios - tinham que ser reavaliados: o cenário idílico era nada além de um corredor da morte, onde cada dia das criaturas foi listado até que eles não eram mais úteis para fins humanos. Eu vivia em casa por 21 anos e em todo esse tempo eu nunca ouvi uma palavra de meus pais, avós, meus 22 tios e tias ou 16 primos, ou os meus professores, ou o pastor, de qualquer coisa remotamente associada a qualquer direito que os animais tivessem, já que são “criação de Deus". Ao sair da casa, aos 21 anos, fui morar como artesão-aprendiz de carpinteiro com outro tio, mas houve a depressão econômica de 1930 e achei que eu poderia tornar-me um artesão qualificando-me na cidade. Com alguma dificuldade, consegui e eu gostei do trabalho tanto que eu nunca tentei substituí-lo por outro.
G: - Você tem 92 anos e 104 dias nesta data. A que você atribui sua vida longa?
D: - Eu me casei com uma garota de Gales, que me ensinou a língua e dizia "Quando todo mundo corre, fique parado", e tenho feito isso desde então. Isso deve ser parte da resposta porque muitas pessoas em corridas suicidas fazem todos os tipos de atos perigosos. Eu sempre disse que o maior erro é que o homem está tentando se tornar um animal carnívoro, porque vai contra a lei natural. Inevitavelmente, eu suponho que, dentro dos próximos dez anos, não vou acordar uma manhã. E daí? Haverá um funeral, haverá um punhado de pessoas e, de acordo com previsões de  Bernard Shaw para seu próprio funeral, vão estar presentes os espíritos de todos os animais que eu não comi. Nesse caso, vai ser um grande funeral!
G: - Quando você começou a ser vegetariano?
D: - Era um propósito e uma nova resolução do ano de 1924, então eu não comi carne ou peixe por 78 anos.
G: -  Conte-me sobre os primeiros dias da Vegan Society.
D: - Tudo começou literalmente a partir do zero dois anos antes de formarmos uma sociedade democrática. Com as respostas que tivemos - milhares de cartas – senti que se não formasse a Sociedade alguém o faria, então eu pensei em dar-lhe um nome diferente. A palavra "vegan" foi imediatamente aceita e se tornou parte da nossa língua, e agora é conhecida em muitas partes do mundo, eu acho. Eu não posso deixar de comparar a nossa revista trimestral atual com o humilde "Vegan News" que produzimos com grande dificuldade. Eu costumava passar toda a noite montando as páginas, grampeando, fazendo. Eu era limitado a um número de 500 assinantes, porque eu não poderia lidar com um número maior. Comparado com a democracia, a ditadura tem uma vantagem óbvia: nos primeiros dias de "Vegan News" eu poderia fazer isso do meu jeito. Eu não acho que eu poderia ter sobrevivido se eu tivesse que escrever para as pessoas e pedir sua opinião. Eu não tinha telefone ou carro, e achava que todos concordassem comigo, até que eu tive que trabalhar com um comitê.
G: - Como o seu Veganismo trata das crenças religiosas que você pode ter?
D: - Eu nunca fui de ter crenças profundas. Eu não era inteligente o suficiente para ser um ateu, mas agnóstico sim. Alguns teólogos acreditam que Cristo era um essênio. Se fosse, seria vegano. Se ele estivesse vivo hoje, ele seria um propagandista vegano itinerante em vez de um pregador ambulante daqueles dias, para espalhar a mensagem da Compaixão. Eu acho que há agora mais veganos domingo no almoço que anglicanos frequentando o culto da manhã de domingo. Eu acredito que os anglicanos devem se regozijar com a boa notícia de que alguém, pelo menos, está praticando o elemento essencial da religião cristã, a Compaixão.
G: - O que você acha mais difícil em ser vegano?
D: - Bem, acho que é o aspecto social, ou seja excluir as pessoas veganas que se encontram e se reúnem para comer. A única maneira que este problema pode ser aliviado é que o Veganismo seja aceito em locais públicos, como hotéis, restaurantes, onde quer que vá. Espero que algum dia isso se torne a norma.
G: E o outro lado da moeda: O que parece mais fácil em ser vegano?
D: - A grande vantagem é ter uma Consciência clara e acreditando que os cientistas devem aceitar a Consciência como parte da equação científica.
G: - Qual é a importância de ter feito jardinagem em sua vida?
D: - Quando eu morava em Leicester, um amigo me deixou usar um lote de terreno. Quando a safra estava madura, ele tinha que trazê-la de volta por quatro milhas através da cidade. Quando eu tive a sorte de conseguir um emprego em Keswick, eu tinha uma casa com um acre de jardim, um verdadeiro sonho tornado realidade. Minhas caixas de compostagem cheias de mato, grama cortada, resíduos vegetais da horta, folhas mortas (mas não de esterco animal). A propósito, toda a minha escavação era feita com um garfo, para manter vivas as minhocas.
G: - Quais são os seus pontos de vista sobre os esportes cruéis?
D: - Eu acho que eles são os mais baixos. Não importa pensarmos que são necessários,  pois agindo assim nós fazemos mal, porque mais do que matar criaturas para seu próprio bem, matar criaturas para se divertir é perverso.
G: - E sobre a experiência com os animais?
D: - Dizem que os esportes cruéis são o ponto mais baixo, mas eu acho que nós temos que mover a alavanca um pouco mais para baixo para colocar lá a vivissecção (cortar animais vivos). Ela é algo que sempre perguntam quando a gente pensa na “crueldade delegada” executada por essas pessoas, mas é uma questão simples: se não houvesse vivissectores poderíamos fazer o que eles fazem? Se não podemos, não temos o direito de esperar que eles façam isso para nosso benefício. Os medicamentos mais ortodoxos são testados em animais e talvez seja, uma das maiores inconsistências os vegetarianos e veganos tomarem esses medicamentos,  ainda mais inconsistente do que usar couro ou lã, porque estes são produtos de uma indústria que fornece carne.
G: - O que você pensa da Ação Direta?
D - Eu nunca me vi envolvido nela. Tenho grande respeito por aqueles que acreditam que é a forma mais direta e rápida para perseguir seus objetivos. Se eu fosse um animal em uma gaiola em um laboratório, agradeceria a pessoa que quebrou tudo para me livrar, mas, mesmo dizendo isso, devemos sempre lembrar: pode acontecer que nossas ações se revelem contraproducentes? Eu não sei se responder "sim" ou "não", porque eu não sei a resposta para isso.
G: - O que você considera a maior conquista de sua vida?
É o que me propus a fazer: sentir-me uma ferramenta para iniciar um grande movimento que não só poderia mudar o curso da história da humanidade e o resto da criação, mas também aumentar as expectativas de sobrevivência humana no planeta.
G: Você tem alguma mensagem para os milhares de pessoas que são atualmente veganas?
D: - Tomar para si a visão ampla do que significa o Veganismo, algo além de encontrar a alternativa para fazer ovos mexidos ou uma nova receita para um bolo de Natal. Perceba que você está em algo realmente grande, algo que não havia sido avaliado até 60 anos atrás, que concentra muitas críticas razoáveis, mas que não podem contra ele. E não levar semanas ou meses para estudar especialistas em dieta ou ler livros. Significa tomar alguns fatos simples e aplicar.
G: Você tem alguma mensagem para os vegetarianos?
D: - Aceitar que o vegetarianismo é um passo intermediário entre o onivorismo e o Veganismo. Pode haver veganos que fizeram a transição em uma única etapa, mas tenho certeza que a maioria das pessoas precisa do estágio intermediário. Eu sou um membro da Sociedade Vegetariana para manter contato com esse movimento. Fiquei encantado ao saber que na Conferência Mundial de Vegetarianismo realizada em Edimburgo, a dieta era vegana e não havia escolhas. A pequena semente plantada há 60 anos está fazendo presença e dando frutos.
G: Como você acha que tem sido o desenvolvimento da Sociedade Vegana, desde que a deixou?
Certamente melhor do que eu esperava. O gênio saiu da garrafa e ninguém pode devolvê-lo às tempos ignorantes antes de 1944, quando a semente vegana plantou esperança nas pessoas. O homem pode agora viver com uma dieta vegana. O primeiro trabalho foi feito por voluntários. De certa forma, todas as empresas começam com um trabalho feito por voluntários. Até o nosso diretor executivo tem um salário menor que um salário comercial, porque não podemos permitir qualquer outra coisa. Assim, desde a sua criação, a Sociedade Vegana tem se beneficiado de trabalho voluntário. Nós somos gratos a essas pessoas. Quem sabe o que aconteceria se eles não estivessem aqui.
G: - Em que sentido você entende que a Sociedade Vegana deve funcionar no futuro?
D - Não me atrevo a sugerir algo a um movimento que parece ir bem, espalhando a obra por todo o mundo. O edifício que sobreviveu a todos os ataques antes de iniciarmos o nosso trabalho está se desintegrando devido à sua estrutura fraca. Não sabemos quais os avanços espirituais que o Veganismo traz a longo prazo - com as gerações - para a humanidade. Seria certamente uma civilização diferente, a primeira que merece ter o título de civilização.

Tradução livre, feita por Arnaldo Preto, da entrevista de Donald Watson a George D. Rodge da Sociedade Vegana em agosto de 2003.

sábado, 21 de março de 2015

Por que os Budistas Rezam?

Elizabeth-Mattis Namgyel, mestra budista americana
Na postagem Meditar? Orar? Para que? falamos da Conexão entre essas duas coisas, meditar e orar. Hoje apresentamos uma visão budista da razão de orar, rezar. Curiosamente o budismo é uma "religião sem Deus". Só há Buda, um ser que se iluminou depois de muitas vidas, e então tomou contato com a fonte de onde emana tudo, as causas, os universos. Na verdade a oração nos auxilia no caminho dessa "barra pesada" que é viver, usando-a para despertar ao invés de vez de lutar contra ela. Vamos lá:

Quando reconhecemos o quanto ficamos perdidos no ímpeto habitual de nossos pensamentos e emoções, percebemos como temos pouca força para nos mover em direção à sanidade. Isso pode nos inspirar a compreender e apreciar a força da oração. A oração corta a atividade selvagem e discursiva da mente, nos direcionando e provendo meios para aproximar nossas ações das nossas intenções.

Porque o budismo é uma religião não-teísta, temos a tendência de descartar a oração como sendo dualista. Afinal, ao colocar a responsabilidade pelo nosso desenvolvimento espiritual em algo fora de nós, não estamos tentando fugir? Para quem estamos rezando? Nesse momento e nessa era,  geralmente a oração é vista como superstição e com embaraço. Esquecemo-nos que funcionamos com a mente dual na maior parte do tempo e que há benefícios em saber o que queremos e saber pedir por isso no caminho espiritual.

Temos que pensar com praticidade sobre a espiritualidade. Simplesmente esperar que um dia nós iremos acordar “totalmente iluminados” não fará o trabalho por nós. Sem uma intenção definida, caímos na imprecisão e operamos através da falta de clareza. Devemos nos perguntar, onde estamos indo? O que realmente queremos? A oração é como andar de bicicleta: nossa direção sempre vai naturalmente seguir nosso olhar. Como o Buda disse nos sutras: “Você é seu próprio mestre. Você faz seu próprio futuro; não há outro refugio”. A direção que seguimos é por nossa conta. Se direcionarmos nossa mente na direção de ganhar dinheiro, tem maior chance de isso acontecer. Se não, é questionável que seremos capazes de pagar o aluguel. O mesmo é verdade com a nossa vida espiritual. O progresso espiritual – progresso humano – requer uma intenção clara.”

Pedir

Nós suplicamos porque, na vida, geralmente não sabemos o que fazer. Rezar pode ser um jeito de nos entregar para o mistério e o movimento da vida. Expressa uma aceitação de que não sabemos nada e nunca saberemos – que apenas enxergamos uma pequena parcela das coisas. Não enxergamos a teia infinita do relacionamento interconectado do qual fazemos parte. Ainda assim, por outro lado, temos nosso papel para desempenhar no todo, e tudo o que fazemos na vida é importante. Esse é um paradoxo interessante, não é? É preciso uma mente ampla para viver no coração desse paradoxo – estar alerta e receptivo, e ao mesmo tempo, aceitar a natureza indeterminada das coisas, os fatos que não sabemos. Esse é o espírito da oração.

Podemos rezar por qualquer coisa. Mas para o que rezamos influencia na direção em que vamos e na natureza transformativa da prática. Rezar para a felicidade e para nos livrar do sofrimento nos mantém dentro dos limites da mente comum. As orações não têm a mesma agudeza e liberação quando estamos tentando evitar a vida e deixar de sentir o mundo em nossa volta. Se nos distanciamos do nosso desejo individual de sermos livres do sofrimento dentro do todo, onde reconhecemos que o sofrimento é parte da vida nesse corpo e nesse mundo, temos a experiência da profundidade da oração. Aceitar a beleza e a dor do nosso mundo é a fundação do caminho do Buda.

Então o que significa rezar sem as limitações de nossas preferências individuais? Significa que estamos rezando para um despertar profundo e incondicional não baseado nas preferências do ego. Só em pedir nós experienciamos uma mente poderosa e humilde. Permitimos que a vida nos toque, e sentimos o desejo de seguir em frente com compaixão e amor.

Como praticar a oração?

Duas vezes por ano, minha comunidade se reúne para um retiro em grupo – drupcho – onde recitamos cem mil preces de renomados mestres de meditação de nossa linhagem, Kunchyen Jigme Lingpa. Porque essa é uma prática em grupo, e nós recitamos a prece em voz alta, várias e várias vezes, há uma grande demanda de energia, foco, criatividade, e visão. Quando não prestamos atenção e nos esquecemos de fazer nossa prece de forma pessoal, nossa prática se torna vaga e apenas um hábito, e a energia na sala diminui.

Com a oração, sempre existem os altos e baixos. A prática demanda força e insistência. Quando a mente habitual quer se fechar, a oração serve como uma negação teimosa em cair no mundo cansativo e familiar do ego. Em outras horas, a mente flui sem esforço. Quando isso acontece em um grupo, toda a atmosfera volta à vida e o poder a oração é palpável e forte.

Então, como rezamos? Você pode recitar uma prece em particular ou rezar de modo espontâneo, usando suas próprias palavras. Apesar de tudo, é importante tornar nossa oração pessoal. As pessoas geralmente comentam que ajuda fazer a suplicação de forma específica para que a prática não se torne abstrata. Você pode começar focando em um amigo que está sofrendo de alguma doença ou num animal maltratado. Ou você pode suplicar para uma forma de sair de um hábito prejudicial ou vício. Às vezes, a oração naturalmente vai se desenvolver para um descanso, além de palavras e ideias, dentro da natureza insondável do ser.

Nos retiros em grupos falamos para as pessoas mandarem pedidos de oração. Elas as enviam via e-mail e uma vez por dia nós as lemos em voz alta. Todo mundo escuta com tanta atenção enquanto suas orações estão sendo lidas que você poderia escutar um alfinete caindo. Algumas das orações são bem generalistas: para o bem-estar dos animais, para os idosos, crianças em situações abusivas, soldados lutando em guerras, pessoas vivendo em prisões, ou sofrendo de depressão. Algumas vezes, os pedidos de oração incluem nomes e descrições de situações pessoais.

Sempre me surpreende quantos pedidos de oração nós recebemos, os quão pessoais eles são e quanta coragem as pessoas têm, em pedir. Quando escutamos os pedidos, sentimos a presença de todas aquelas pessoas como se elas estivessem sentadas reunidas conosco. Suas orações nos emocionam e catalisam a nossa prática, gerando uma atmosfera geral de cura e positividade, que fala do poder da interdependência. Às vezes, eles nos escrevem de volta, dizendo como se sentiram tocados e como isso fez diferença para eles e suas pessoas queridas.

Imaginação

Quando rezamos, pode ser para uma imagem do Buda ou de nosso professor. Ou você pode rezar para a natureza de sua própria mente, como sendo inseparável da natureza da deidade. Às vezes você pode até não saber a quem direcionar suas orações, mas o pedido por si só tem seu próprio poder. De fato, se você pensar sobre isso, você realmente tem que saber de tudo? Você tem a capacidade de saber? A natureza do Buda, do professor, ou de qualquer coisa no mundo é insondável, misteriosa, e não se presta a ser conhecida de uma forma conclusiva.

E é particularmente importante refletir sobre isso, porque no mundo moderno, rezar para um objeto pode parecer artificial. Podemos até querer acreditar em uma deidade ou no Buda, mas parece afetado. Um dos aspectos mais importantes e únicos dessa tradição é a compreensão de que nada possui uma existência intrínseca. Muitas vezes presumimos que nós – quem somos realmente – estamos rezamos para uma deidade imaginária. Mas na verdade, mesmo o que chamamos de “eu” surge de um complexo infinito de relacionamentos que ficam surgindo e caindo a cada momento. Tudo é imaginário, e nisso há a resistência à definição, tudo é dinâmico e aberto à interpretação – ou, em termos budistas, tudo é vazio.

A oração é um meio que nos ajuda a seguir em frente com alguma sanidade – uma prática que nos ajuda a utilizar o mundo para despertar. Podemos rezar para nosso professor ou para o Buda como uma maneira de seguir em frente no nosso caminho. Não temos necessariamente que ver esse dualismo como um problema. Na verdade, enxergar o dualismo como um problema é dualista. O que chamamos de caminho é uma forma de navegar pelo dualismo utilizando positivamente nossa vida e experiências.

Texto escrito por Elizabeth-Mattis Namgyel, originalmente publicado na revista Buddhadharma Magazine edição de outono de 2014 e reproduzido no site da autora. Tradução de Rafaela Batista. Elizabeth Namgyel é uma das muitas mestras budistas norte-americanas contemporâneas (leia “A Face Feminina de Buda”), estuda e pratica o budismo por 30 anos sob a orientação de seu professor e marido, Dzigar Köngtrul Rinpoche.